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Galeria a céu aberto valoriza arte urbana na Vila Industrial em Campinas

Galeria a céu aberto valoriza arte urbana na Vila Industrial em Campinas

A Praça Corrêa de Lemos, em frente ao Teatro Municipal José de Castro Mendes, na Vila Industrial, em Campinas, acaba de ganhar uma galeria a céu aberto, com murais que valorizam a arte urbana, a cultura negra e a sustentabilidade. A intervenção foi feita no muro do Coreto Aureluce Santos, que fica dentro da praça, como parte da primeira edição do Projeto NaLata em Campinas. A proposta surgiu com a iniciativa da WestRock, empresa do setor de embalagens sustentáveis, em parceria com a Agência Inhaus e o apoio da Prefeitura de Campinas por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. O objetivo é revitalizar o espaço e, ao mesmo tempo, fomentar o diálogo entre arte e sociedade.

O festival, que já passou por diversas capitais e recentemente realizou uma parceria com o Museu Straat, de Amsterdã, Holanda, reuniu três artistas para esta edição em Campinas: Gim, Sabrina Savani e Ewerton Epifania. Cada um deles trouxe sua própria interpretação e abordou temas como meio ambiente, ancestralidade e representatividade feminina no samba.

Arte na Praça exalta a Dama do Samba de Campinas, o samba e a cultura negra

Segundo o artista Ewerton Epifania, a escolha da Praça Corrêa de Lemos foi significativa. “Essa praça é um ponto importante por estar em frente ao teatro e pelo coreto da Aureluce. Quando nos reunimos para pensar o que fazer, refletimos muito sobre a mulher e decidimos homenagear a Dama do Samba de Campinas, que faleceu em 2020”. No mural, Ewerton representa a Bahia, berço do samba, e exalta a cultura negra das periferias. “Pintar aqui é uma experiência fantástica, pelo movimento que a praça tem. Revitalizar esse muro criou uma nova dinâmica no espaço. As pessoas param, conversam com a gente e tiram fotos. A interação tem sido acolhedora e prazerosa”, celebra o artista.

Sustentabilidade como tema

Gim, que trabalhou com o tema da sustentabilidade, destacou o poder transformador da arte urbana. “Acredito no poder transformador da arte urbana e em como ela cria diálogos reais com quem passa pelas ruas. Busquei trazer elementos que fossem, ao mesmo tempo, um alerta e um convite à conscientização. A arte é um canal direto de reflexão e gera sensibilidade por quem a consome. Com certeza esse mural levará novos significados para a praça e seu entorno”, pondera. 

Sabrina Savani também ressalta a importância de ocupar espaços públicos com imagens que representem a realidade das pessoas. “A arte urbana foi a porta de entrada para a minha trajetória nas artes visuais, e poder realizar um trabalho em espaços públicos de fácil acesso, como a praça, é sempre uma experiência muito rica. Estamos sendo inseridos no cotidiano das pessoas que cruzam esse caminho diariamente — seja para brincar, descansar ou se abrigar.” 

Durante o processo de pintura, ela ouviu depoimentos emocionantes. “Uma moradora que vive há 30 anos ali me falou sobre a mudança acolhedora que sentiu com a pintura. Um visitante da cidade disse ter se visto representado na imagem, reconhecendo ali a sua própria história.”

Homenagem ao Mestre TC Silva

Em seu mural, Sabrina fez uma homenagem ao Mestre TC Silva, importante figura de Campinas que planta baobás pela cidade, destacando os saberes ancestrais dessa árvore. Também representou um menino empinando a bicicleta enquanto puxa uma carrocinha, para dialogar com a juventude e com os catadores de materiais recicláveis. “A juventude é o futuro, e os catadores realizam um trabalho crucial por um mundo mais sustentável”, afirmou. Ela também fez questão de homenagear Aureluce, que dá nome ao coreto da praça. “Essa informação ainda é pouco conhecida, mas muito significativa.”, diz Sabrina.

Projeto NaLata: cidade é uma tela para colorir

Com essa intervenção artística, o Projeto NaLata transformou o espaço visual da praça e  fortaleceu o sentimento de pertencimento da comunidade com o local. Os artistas demonstraram entusiasmo com o resultado e o desejo de ampliar o projeto. “Campinas tem muitos artistas excelentes e a cidade é uma tela em branco, cheia de lugares que podem receber arte e cultura. Queremos trazer ainda mais da cultura negra para os muros da cidade”, conclui Ewerton.

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